A OBRA ADVENTISTA EM PORTUGAL
NA DÉCADA DE 1940 (2ª metade)
ALVOS − SERÁ POSSÍVEL ALCANÇÁ-LOS?
Decorriam os primeiros dias do mês de Dezembro de 1946. Reunidos na sede da Divisão Sul-Europeia, na cosmopolita Genebra, os membros do Conselho anual ouvem falar de novos horizontes abertos pela providência de Deus. Saradas que iam sendo as feridas abertas pela Grande Guerra, os obreiros e membros eram confrontados com as necessidades dos seus campos locais e, por que não dizê-lo, com as do campo mundial. Perante o grito que de toda a parte se levantava, lançado pelos macedónios modernos, poderia prevalecer a constatação da insuficiência de recursos humanos e financeiros. Conquanto a tarefa parecesse imensa os líderes apelavam a que os obreiros e membros, tendo em conta a solenidade dos tempos em que se vivia, procurassem, mais do que nunca, “ o socorro de Deus e a efusão do Espírito Santo” (1) a fim de se desincumbirem da missão que o Senhor lhes atribuíra.
Em Portugal, a direcção da obra compreendeu o apelo da Divisão que fundamentava o êxito do trabalho no número de almas ganhas para Cristo através do ministério e serviço pessoais. Assim, pela primeira vez no país a Igreja se preocupou com a fixação de alvos. “Falemos de baptismos, sonhemos com baptismos, trabalhemos por baptismos!”, afirmava significativamente o Presidente da União, Pastor Dias Gomes (2).
Logo nas Assembleias da União Portuguesa reunidas a 27 e 28 de Janeiro de 1947, não só se apontaram números de baptismos a alcançar para esse ano, como ainda se estabeleceram objectivos financeiros para todos os departamentos e para campanhas que tradicionalmente a Igreja levava a efeito. Daí o repto então lançado aos obreiros e membros: Será possível alcançá-los? (3).
Noutra passagem o Pastor Dias Gomes escrevia “tomámos sérias resoluções e compromissos solenes, (…). Não vimos que tais compromissos estivessem para além das nossas forças. (…) como homens de honra e brios, faremos tudo quanto humanamente seja possível para a realização dos mesmos. Não votámos para não realizar. De resto, alvos e resoluções foram tomados por unanimidade de votos. Resta, pois, realizar com pertinácia, calma e de olhos fitos os nossos alvos individuais, (…)”(4).
E reforçava a sua convicção de que “Uma artimanha que Satanás tem empregado com muito êxito entre Obreiros e Igrejas está nisto: semear nos seus espíritos a ideia de que são chamados apenas para pregar a Palavra e arranjar-lhes, a uns e outros, mil pequeninos problemas em que percam tempo e energia que deveriam ser postos em obter adesões e baptizar novos membros” (5).
Em meados do ano de 1947, isto é, cerca de 6 meses depois das Assembleias, apresentavam-se à Igreja os primeiros resultados de baptismos para as várias congregações da União Portuguesa. Atentando nos valores totais da Conferência: 44 novos membros em 139 propostos para esse ano, e nos 16 em 96 nas Missões anteviam-se dificuldades para o resto do ano na obtenção de resultados satisfatórios. Não admira pois que os dirigentes da obra servindo-se do Espírito de Profecia apelassem: «Aqueles que se empenham na salvação das almas devem constantemente crescer em eficiência. Devem possuir um fervoroso desejo de robustecer as suas faculdades, sabendo que elas se enfraquecerão sem uma provisão sempre crescente de graça. Cumpre-lhes buscar atingir maiores e sempre maiores resultados em sua obra. Quando nossos obreiros assim fizerem, ver-se-ão os frutos. Ganhar-se-ão muitas almas para a verdade.» (6).
Assinale-se, entretanto que, de acordo com o relatório do 1º trimestre de 1947 enviado à Divisão Sul-Europeia, a União Portuguesa ultrapassa pela 1ª vez os 1000 membros (1020 efectivos), que incluíam os 707 das Igrejas da Conferência e os 313 nas Missões da Madeira, Açores, Cabo Verde e São Tomé.
(1) Revista Adventista, nº 39, ano VIII, Jan-Fev.1947, p.3.
NA DÉCADA DE 1940 (2ª metade)
ALVOS − SERÁ POSSÍVEL ALCANÇÁ-LOS?
Decorriam os primeiros dias do mês de Dezembro de 1946. Reunidos na sede da Divisão Sul-Europeia, na cosmopolita Genebra, os membros do Conselho anual ouvem falar de novos horizontes abertos pela providência de Deus. Saradas que iam sendo as feridas abertas pela Grande Guerra, os obreiros e membros eram confrontados com as necessidades dos seus campos locais e, por que não dizê-lo, com as do campo mundial. Perante o grito que de toda a parte se levantava, lançado pelos macedónios modernos, poderia prevalecer a constatação da insuficiência de recursos humanos e financeiros. Conquanto a tarefa parecesse imensa os líderes apelavam a que os obreiros e membros, tendo em conta a solenidade dos tempos em que se vivia, procurassem, mais do que nunca, “ o socorro de Deus e a efusão do Espírito Santo” (1) a fim de se desincumbirem da missão que o Senhor lhes atribuíra.
Em Portugal, a direcção da obra compreendeu o apelo da Divisão que fundamentava o êxito do trabalho no número de almas ganhas para Cristo através do ministério e serviço pessoais. Assim, pela primeira vez no país a Igreja se preocupou com a fixação de alvos. “Falemos de baptismos, sonhemos com baptismos, trabalhemos por baptismos!”, afirmava significativamente o Presidente da União, Pastor Dias Gomes (2).
Logo nas Assembleias da União Portuguesa reunidas a 27 e 28 de Janeiro de 1947, não só se apontaram números de baptismos a alcançar para esse ano, como ainda se estabeleceram objectivos financeiros para todos os departamentos e para campanhas que tradicionalmente a Igreja levava a efeito. Daí o repto então lançado aos obreiros e membros: Será possível alcançá-los? (3).
Noutra passagem o Pastor Dias Gomes escrevia “tomámos sérias resoluções e compromissos solenes, (…). Não vimos que tais compromissos estivessem para além das nossas forças. (…) como homens de honra e brios, faremos tudo quanto humanamente seja possível para a realização dos mesmos. Não votámos para não realizar. De resto, alvos e resoluções foram tomados por unanimidade de votos. Resta, pois, realizar com pertinácia, calma e de olhos fitos os nossos alvos individuais, (…)”(4).
E reforçava a sua convicção de que “Uma artimanha que Satanás tem empregado com muito êxito entre Obreiros e Igrejas está nisto: semear nos seus espíritos a ideia de que são chamados apenas para pregar a Palavra e arranjar-lhes, a uns e outros, mil pequeninos problemas em que percam tempo e energia que deveriam ser postos em obter adesões e baptizar novos membros” (5).
Em meados do ano de 1947, isto é, cerca de 6 meses depois das Assembleias, apresentavam-se à Igreja os primeiros resultados de baptismos para as várias congregações da União Portuguesa. Atentando nos valores totais da Conferência: 44 novos membros em 139 propostos para esse ano, e nos 16 em 96 nas Missões anteviam-se dificuldades para o resto do ano na obtenção de resultados satisfatórios. Não admira pois que os dirigentes da obra servindo-se do Espírito de Profecia apelassem: «Aqueles que se empenham na salvação das almas devem constantemente crescer em eficiência. Devem possuir um fervoroso desejo de robustecer as suas faculdades, sabendo que elas se enfraquecerão sem uma provisão sempre crescente de graça. Cumpre-lhes buscar atingir maiores e sempre maiores resultados em sua obra. Quando nossos obreiros assim fizerem, ver-se-ão os frutos. Ganhar-se-ão muitas almas para a verdade.» (6).
Assinale-se, entretanto que, de acordo com o relatório do 1º trimestre de 1947 enviado à Divisão Sul-Europeia, a União Portuguesa ultrapassa pela 1ª vez os 1000 membros (1020 efectivos), que incluíam os 707 das Igrejas da Conferência e os 313 nas Missões da Madeira, Açores, Cabo Verde e São Tomé.
(1) Revista Adventista, nº 39, ano VIII, Jan-Fev.1947, p.3.
(2) Id, p.5.
(3) Id, Ibid.
(4) Revista Adventista, nº41, Jul-Ago.1947,p.2
(5) Id, Ibid.
(3) Id, Ibid.
(4) Revista Adventista, nº41, Jul-Ago.1947,p.2
(5) Id, Ibid.
(6) Obreiros Evangélicos, C.P.B., 1935, p.92