quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

OS NOVOS DESAFIOS


O Pastor A. Dias Gomes, primeiro nacional a ocupar o cargo máximo da Igreja em Portugal, encontraria em 1933, um panorama a necessitar de uma intensa sacudidura. Após anos de dificuldades económicas e sociais que vinham afectando os portugueses e, consequentemente, a Igreja, que até então poucos progressos havia experimentado, esperava-se “a manhã de um novo dia” como dizia o presidente da Divisão Sul-Europeia, A.V.Olson(1), após a sua passagem pelo nosso país aquando da Assembleia Anual de Maio de 1934.
Os desafios que se levantavam à Igreja exigiam zelo e diligência: criar novos grupos e igrejas, reorganizar a administração, suprir a carência de evangelistas e professores para o campo interno e ultramarino. Nesse sentido, o ano de 1935 surgiu com promessas de maior dinamismo. Na histórica assembleia da Missão Portuguesa de final de Maio definiram-se os estatutos organizativos da nova estrutura adventista que deixa de ser Missão passando a ser Conferência, o que permitiria uma maior funcionalidade administrativa. Tais estatutos foram registados no Governo do Distrito de Lisboa em 20 de Junho, reconhecendo-se, sem qualquer relutância, o clima de tolerância e até algumas facilidades que apesar de tudo foram sendo concedidas ao trabalho de evangelização. Não admira, portanto, que o esforço missionário de colportores e de irmãos leigos durante a campanha da Grande Semana viria a ser compensado com o baptismo de 34 novos membros, acabando o ano com 304 membros registados no campo português assim distribuídos: Lisboa e Missão-195; Porto-49; Portalegre-37; Tomar e Coimbra, 23
Em Setembro de 1935, foi inaugurado, com autorização oficial, o Instituto Académico Adventista. Funcionando em salas anexas do edifício sede da Conferência, a 1ª instituição educativa da Igreja em Portugal recebeu como alunos, 62 crianças de ambos os sexos. As professoras pioneiras foram Maria Augusta de Figueiredo (que acrescentou o apelido Pires ao casar com o Pastor José Júlio Pires) e Ana Temudo Nunes. Ainda nesse ano esta última viria a ser substituída, sucessivamente, por A. Dias Gomes (2º Período) e Celestina Galvão (3º Período). No ano lectivo seguinte (1936/37) o Instituto matriculou 93 alunos no total (73 na Instrução Primária, 6 na Admissão ao liceu, 4 no Liceu e 10 no Curso Bíblico).
A mobilidade dos obreiros revelava-se nas seguintes mudanças: Fernando Simões passou a evangelizar a zona do Porto, substituindo o Pastor Neumann que passa a Coimbra e Tomar. Destas saíra Manuel Lourinho que passou a ocupar-se das igrejas de Lisboa. O Pastor Alberto Raposo deixara Portalegre para iniciar o trabalho no Arquipélago de Cabo Verde, sendo substituído por Manuel Leal, até então departamental de Publicações. Este departamento ficaria a partir daí a cargo de Joaquim Reis Vasco.
Chegado o ano de 1936 tornavam-se evidentes os sinais de profunda inquietação política e social no país vizinho que logo degenerariam na violenta Guerra Civil Espanhola. Não se estranhou, portanto, que a 3ªAssembleia Geral da União Ibérica tivesse lugar pela 1ª vez no nosso país. Nos 6 primeiros dias de Abril reuniram na capital portuguesa praticamente todos os obreiros e numeroso grupo de delegados dos dois países ibéricos. Presidiu aos trabalhos da Assembleia o recém-empossado director da União Ibérica A.J.Girou. Ali se manifestou a gratidão pelas grandes bênçãos recebidas tanto individual como colectivamente, se considerou a grande necessidade de plena unidade de ideais e propósitos no seio da família do obreiro, recomendando-se, particularmente, às esposas que fizessem um esforço especial de colaboração com os seus maridos nas diferentes actividades missionárias, em prol das almas. Considerando, a grande importância do estudo diário da Palavra de Deus recomendou-se aos professores que estimulassem os alunos a esse estudo e que ajudassem durante a semana no estudo da lição da Escola Sabatina os que não sabem ler.
Reconhecido pela direcção da Obra o papel que missionários portugueses poderiam desempenhar na evangelização das colónias ultramarinas, envidaram-se todos os esforços para que alguns obreiros partissem para o Ultramar. Assim, foram enviados para Cabo Verde, Raul Leal (1937) e para Angola Jerónimo Falcão (já em 1936) e, João Ascensão Esteves e Américo Rodrigues no ano seguinte. Todos iniciaram a sua actividade na qualidade de professores nas escolas das Missões locais. No ano de 1938 foi iniciado o trabalho no arquipélago equatorial de S.Tomé e Príncipe, com o obreiro José Freire.
Entretanto, o Conselho da Conferência Portuguesa de Fevereiro de 1938 decidiu abrir dois novos campos de actividade: um em Braga para onde foi enviado o Pastor Manuel Leal e outro no Algarve para o qual foi nomeado Manuel Lourinho. Sem igreja constituída em Braga o trabalho revelou-se difícil, pois as reuniões eram campais. A elas começou a assistir um padre franciscano que viria a converter-se e a tornar-se uma coluna forte do movimento adventista ─ o Pastor Ernesto Ferreira. Como igreja, Braga só mais tarde reapareceria no mapa da Igreja. Em Vila Real de Santo António no Algarve, as reuniões levadas a efeito pelo Pastor Lourinho tinham uma assistência média de 250 pessoas. As restantes congregações estavam “cheias de zelo e boa vontade”, como garantia o Director da Conferência Portuguesa na “Revista Adventista” de 1938, nome escolhido para substituir o de “Mensageiro do Advento” como órgão da Igreja Adventista em Portugal. Estranhamente, o ano de 1938 viu publicado apenas um número da revista e o de 1939, dois números, contrariando a deliberação inicial para uma periodicidade trimestral.
A realidade da seara ser grande e poucos os ceifeiros, constatada com autoridade por Jesus mantinha a actualidade. Mas, por poucos obreiros que ingressassem nas fileiras animavam as hostes. Assim aconteceu, com a entrada de Marcelino Viegas para trabalhar na região de Portalegre, onde a obra adventista atravessava uma fase de intenso dinamismo missionário em várias freguesias como Ribeira de Niza e São Julião e com Manuel Miguel nos Açores, que após alguns meses de trabalho, se confessava grato pela oportunidade de espalhar o Evangelho através da literatura e do contacto pessoal em muitos lares daquela região insular, que se abria à mensagem.
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(1) Mensageiro do Advento, nº 4, de 1.Agosto.1934.