1915-16. A Guerra ganha amplitude na Europa, mas ainda não envolvia materialmente o nosso país. Os pastores Paul Meyer e C.E.Rentfro dirigem as ainda únicas igrejas portuguesas. Meyer em Lisboa revela-se animado com o apoio de um jovem obreiro bíblico, Alberto Raposo, recentemente chegado do Seminário de Gland (Suiça). Rentfro no Porto conta com uma colaboração menos firme do evangelista Alberto Figueiredo, o qual acabaria por abandonar a obra. As dificuldades económicas generalizadas, afectaram, inexoravelmente, o nosso país. O pioneiro Rentfro, a quem morrera o filho mais novo, aceitara um convite para trabalhar no Brasil e a 17 de Março de 1917, deixa o nosso país, sendo substituído na Igreja do Porto, pelo irmão Alberto Raposo.
Segundo estatística da União Latina, Portugal contava então 102 membros, 78 na capital e 24 no Porto. No entanto, era por demais evidente, a falta de obreiros. Dessa carência dava nota Paul Meyer, novo Director da Missão Portuguesa, em artigo publicado na revista Le Messager do final do ano de 1918. Acrescenta então, o único pastor consagrado, a trabalhar no país, que tinha a ajuda de Joaquim Moreira na Igreja de Lisboa. Entretanto, vê-lo-ia sair para o Seminário da União Latina, a fim de seguir o curso de Teologia. Ficaria a enfermeira missionária Rosália Pires que acabara de ser graduada na Escola de Gland e prestou precioso auxílio. No Porto, o colportor João Pereira do Lago apoiava Alberto Raposo, que na capital nortenha, dirigiria a Igreja até 1920, data da chegada do novo pastor, José Abella.
Em Setembro de 1919, o director Meyer ao intervir no Conselho da União Latina ocorrida em Paris referia as dificuldades que encontrava a Obra em Portugal que ele definia como “o país das revoluções por excelência” e como, “apesar da espantosa proporção de analfabetos (82%)”, se congratulava com os progressos da mensagem, precisamente entre essa classe. Referia ainda como nesse último ano os dízimos haviam dobrado e as ofertas triplicado.
1921, foi um ano em que a actividade editorial foi reanimada com a publicação da obra de Jean Vuilleumier “A Expectativa do Mundo”. Até então trabalhava-se em Portugal com duas obras O Preceptor da Bíblia no Lar que havia sido editado pela 1ª vez em 1907 e “A Gloriosa Aparição de Cristo” em 1913, além de vários opúsculos e folhetos alguns deles reeditados. Merece destaque “O Conflito das Nações e a Paz Universal” de Paul Meyer, com várias reedições, uma delas (a 5ª) com 30 000 exemplares. Nesse mesmo ano de 1921, pela primeira vez foi realizada uma Campanha das Missões, no nosso país, apoiada na colocação de 3000 revistas, as quais permitiram recolher um montante de 2 585$70.
Entretanto, Portalegre tornar-se-ia na 3ª cidade do país com igreja adventista. Após uma série de conferências sobre as profecias de Daniel, apresentadas pelo Pastor Meyer, no salão da Igreja Presbiteriana (Junho de 1920) e o trabalho da então obreira bíblica Rosália Pires e do colportor João Pereira do Lago foram lançados os fundamentos da Igreja na pequena capital do interior alentejano. Famílias prestigiadas na história adventista como a dos Brito Ribeiro e a Lourinho faziam parte dos nomes registados nos livros da 1ª igreja ali constituída em1924. No ano anterior, o auxiliar do pastor Abella no Porto, irmão Fernando Simões deslocara-se para Tomar onde o 1º grupo de interessados na mensagem toma a decisão de, publicamente, confessar a sua fé às margens do Nabão, integrando-se na fileira dos seguidores da verdade.
No ano de 1923, o acto público do lançamento da 1ª pedra para a 1ª Igreja, construída de raiz em Portugal, teve à época algum impacto social. Erigida numa das zonas mais modernas da capital, na Rua Joaquim Bonifácio, a bela construção, da autoria do conceituado arquitecto Pardal Monteiro, viria a ser inaugurada, em clima verdadeiramente festivo, nos três últimos dias de Novembro de 1924. As cerimónias principais seriam oficiadas pelo Pastor A.V.Olson, presidente da União Latina e os seus colaboradores mais próximos na administração, pastores Robert Gerber e Paul Badaut. Esse evento contribuiria de algum modo para uma maior visibilidade e reconhecimento da pequena, mas activa comunidade religiosa que em meio à opressiva prepotência de um Estado laico e de uma sociedade maioritariamente católica e conservadora necessitava de todo e qualquer élan ou rasgo de notoriedade para ultrapassar a barreira do preconceito aviltante.
No mês de Abril de 1924, a Missão Portuguesa mudou de administração. O Pastor Meyer é substituído pelo seu conterrâneo Jules César Guenin, cujo mandato pouco mais durou do que um ano. Não fora a boa ventura de ter inaugurado a Igreja Central de Lisboa e aquele missionário que durante 5 anos dirigira a Missão do Norte de África não deixaria, entre nós, registo condigno. Sabe-se apenas que, por manifesta inadaptação ao país, pedira a demissão, deixando a Missão com menor número de membros do que tinha à sua chegada (mais precisamente 167 membros, isto é, menos 12 do que à sua chegada um ano antes).
Chegado durante o 2º semestre de 1925, o novo director da Missão Portuguesa, o britânico Harry W. Lowe, dedicou algum tempo à aprendizagem da língua de Camões. Foi com incontido agrado que esse dirigente pôde apresentar no seu relatório à Assembleia Anual da Missão Portuguesa de Abril de 1927, uma recuperação sensível em vários indicadores mormente no número de membros admitidos, nas ofertas e dízimos, no produto das Campanhas da Grande Semana, da Semana de Sacrifício e das Missões com percentagens de aumento apreciáveis. Não era esquecida ainda a obra das Publicações que tivera o notável aumento de 90%, no espaço de um ano.
Por decisão de um Conselho extraordinário da Divisão Europeia de 1926, a União Latina era desmembrada. Nasceria daí a União Ibérica à qual passava a pertencer, a partir de 1 de Janeiro de 1927, a Missão Portuguesa. Nesta, Alberto Raposo mantinha o cargo de Secretário-tesoureiro, acumulando a liderança dos departamentos de Escola Sabatina, Sociedade Missionária e da Sociedade de Tratados; Manuel Lourinho, assumiu o cargo de chefe dos colportores. Harry W.Lowe deixaria a presidência da Missão Portuguesa logo após a Assembleia Anual de 1928, realizada de 2 a 7 de Outubro, partindo para o seu país onde iria assumir novas funções. No relatório então apresentado à Assembleia, a Igreja em Portugal tinha no final de 1927, 209 membros, assim distribuídos: Lisboa (126), Porto (43), Portalegre (25) e Tomar (15).
Abriu-se, em seguida, um curto período intercalar em que a presidência da Missão seria atribuída em acumulação ao secretário-tesoureiro Alberto Raposo. Além dele ficariam apenas três obreiros António Dias Gomes com a Igreja de Lisboa, Manuel Lourinho com a do Porto, após o prematuro falecimento do Pastor José Abella (Maio de 1928) e Fernando Simões com as Igrejas de Tomar e Portalegre. Em Dezembro chegaria do Brasil, Júlio Miñan, como novo chefe de colportores. Esse irmão iria deixar o seu nome ligado à 1ª Sociedade de Jovens adventistas em Lisboa, a qual reunia 34 rapazes e meninas.
Em artigo surgido no nº 3 da Revista Adventista Ibérica, o Pastor Lourinho refere como a Igreja do Porto se empenhava na evangelização da sua cidade, mas como se envolvia ainda no apoio a dois grupos surgidos na região: um, em Viana do Castelo, a bela cidade do Noroeste do país e outro em Esgueira, junto a Aveiro, ambos com apenas 4 membros. No meio de dificuldades e incompreensões a Igreja ia estendendo as suas raízes. Curiosamente essa evolução não escapou à atenta e descomprometida análise do distinto jornalista Aprígio Mafra que no Diário de Lisboa de 30.Fev.1930, apontava para o total de 228, o número de adventistas no país deles dizendo: “São poucos ainda; mas com tanta fé evangelizam, com tanta persistência trabalham na propagação da sua doutrina, que dentro em pouco, a avaliar pelos progressos realizados já, bem pode acontecer que milhares de adeptos se lhes associem.”
Trabalho de HLCCaprichoso baseado em dados gentilmente cedidos pelo Pastor Ernesto Ferreira na sua obra “Arautos de Boas Novas - Centenário da Igreja A.S.D em Portugal -1904-2004”.
Segundo estatística da União Latina, Portugal contava então 102 membros, 78 na capital e 24 no Porto. No entanto, era por demais evidente, a falta de obreiros. Dessa carência dava nota Paul Meyer, novo Director da Missão Portuguesa, em artigo publicado na revista Le Messager do final do ano de 1918. Acrescenta então, o único pastor consagrado, a trabalhar no país, que tinha a ajuda de Joaquim Moreira na Igreja de Lisboa. Entretanto, vê-lo-ia sair para o Seminário da União Latina, a fim de seguir o curso de Teologia. Ficaria a enfermeira missionária Rosália Pires que acabara de ser graduada na Escola de Gland e prestou precioso auxílio. No Porto, o colportor João Pereira do Lago apoiava Alberto Raposo, que na capital nortenha, dirigiria a Igreja até 1920, data da chegada do novo pastor, José Abella.
Em Setembro de 1919, o director Meyer ao intervir no Conselho da União Latina ocorrida em Paris referia as dificuldades que encontrava a Obra em Portugal que ele definia como “o país das revoluções por excelência” e como, “apesar da espantosa proporção de analfabetos (82%)”, se congratulava com os progressos da mensagem, precisamente entre essa classe. Referia ainda como nesse último ano os dízimos haviam dobrado e as ofertas triplicado.
1921, foi um ano em que a actividade editorial foi reanimada com a publicação da obra de Jean Vuilleumier “A Expectativa do Mundo”. Até então trabalhava-se em Portugal com duas obras O Preceptor da Bíblia no Lar que havia sido editado pela 1ª vez em 1907 e “A Gloriosa Aparição de Cristo” em 1913, além de vários opúsculos e folhetos alguns deles reeditados. Merece destaque “O Conflito das Nações e a Paz Universal” de Paul Meyer, com várias reedições, uma delas (a 5ª) com 30 000 exemplares. Nesse mesmo ano de 1921, pela primeira vez foi realizada uma Campanha das Missões, no nosso país, apoiada na colocação de 3000 revistas, as quais permitiram recolher um montante de 2 585$70.
Entretanto, Portalegre tornar-se-ia na 3ª cidade do país com igreja adventista. Após uma série de conferências sobre as profecias de Daniel, apresentadas pelo Pastor Meyer, no salão da Igreja Presbiteriana (Junho de 1920) e o trabalho da então obreira bíblica Rosália Pires e do colportor João Pereira do Lago foram lançados os fundamentos da Igreja na pequena capital do interior alentejano. Famílias prestigiadas na história adventista como a dos Brito Ribeiro e a Lourinho faziam parte dos nomes registados nos livros da 1ª igreja ali constituída em1924. No ano anterior, o auxiliar do pastor Abella no Porto, irmão Fernando Simões deslocara-se para Tomar onde o 1º grupo de interessados na mensagem toma a decisão de, publicamente, confessar a sua fé às margens do Nabão, integrando-se na fileira dos seguidores da verdade.
No ano de 1923, o acto público do lançamento da 1ª pedra para a 1ª Igreja, construída de raiz em Portugal, teve à época algum impacto social. Erigida numa das zonas mais modernas da capital, na Rua Joaquim Bonifácio, a bela construção, da autoria do conceituado arquitecto Pardal Monteiro, viria a ser inaugurada, em clima verdadeiramente festivo, nos três últimos dias de Novembro de 1924. As cerimónias principais seriam oficiadas pelo Pastor A.V.Olson, presidente da União Latina e os seus colaboradores mais próximos na administração, pastores Robert Gerber e Paul Badaut. Esse evento contribuiria de algum modo para uma maior visibilidade e reconhecimento da pequena, mas activa comunidade religiosa que em meio à opressiva prepotência de um Estado laico e de uma sociedade maioritariamente católica e conservadora necessitava de todo e qualquer élan ou rasgo de notoriedade para ultrapassar a barreira do preconceito aviltante.
No mês de Abril de 1924, a Missão Portuguesa mudou de administração. O Pastor Meyer é substituído pelo seu conterrâneo Jules César Guenin, cujo mandato pouco mais durou do que um ano. Não fora a boa ventura de ter inaugurado a Igreja Central de Lisboa e aquele missionário que durante 5 anos dirigira a Missão do Norte de África não deixaria, entre nós, registo condigno. Sabe-se apenas que, por manifesta inadaptação ao país, pedira a demissão, deixando a Missão com menor número de membros do que tinha à sua chegada (mais precisamente 167 membros, isto é, menos 12 do que à sua chegada um ano antes).
Chegado durante o 2º semestre de 1925, o novo director da Missão Portuguesa, o britânico Harry W. Lowe, dedicou algum tempo à aprendizagem da língua de Camões. Foi com incontido agrado que esse dirigente pôde apresentar no seu relatório à Assembleia Anual da Missão Portuguesa de Abril de 1927, uma recuperação sensível em vários indicadores mormente no número de membros admitidos, nas ofertas e dízimos, no produto das Campanhas da Grande Semana, da Semana de Sacrifício e das Missões com percentagens de aumento apreciáveis. Não era esquecida ainda a obra das Publicações que tivera o notável aumento de 90%, no espaço de um ano.
Por decisão de um Conselho extraordinário da Divisão Europeia de 1926, a União Latina era desmembrada. Nasceria daí a União Ibérica à qual passava a pertencer, a partir de 1 de Janeiro de 1927, a Missão Portuguesa. Nesta, Alberto Raposo mantinha o cargo de Secretário-tesoureiro, acumulando a liderança dos departamentos de Escola Sabatina, Sociedade Missionária e da Sociedade de Tratados; Manuel Lourinho, assumiu o cargo de chefe dos colportores. Harry W.Lowe deixaria a presidência da Missão Portuguesa logo após a Assembleia Anual de 1928, realizada de 2 a 7 de Outubro, partindo para o seu país onde iria assumir novas funções. No relatório então apresentado à Assembleia, a Igreja em Portugal tinha no final de 1927, 209 membros, assim distribuídos: Lisboa (126), Porto (43), Portalegre (25) e Tomar (15).
Abriu-se, em seguida, um curto período intercalar em que a presidência da Missão seria atribuída em acumulação ao secretário-tesoureiro Alberto Raposo. Além dele ficariam apenas três obreiros António Dias Gomes com a Igreja de Lisboa, Manuel Lourinho com a do Porto, após o prematuro falecimento do Pastor José Abella (Maio de 1928) e Fernando Simões com as Igrejas de Tomar e Portalegre. Em Dezembro chegaria do Brasil, Júlio Miñan, como novo chefe de colportores. Esse irmão iria deixar o seu nome ligado à 1ª Sociedade de Jovens adventistas em Lisboa, a qual reunia 34 rapazes e meninas.
Em artigo surgido no nº 3 da Revista Adventista Ibérica, o Pastor Lourinho refere como a Igreja do Porto se empenhava na evangelização da sua cidade, mas como se envolvia ainda no apoio a dois grupos surgidos na região: um, em Viana do Castelo, a bela cidade do Noroeste do país e outro em Esgueira, junto a Aveiro, ambos com apenas 4 membros. No meio de dificuldades e incompreensões a Igreja ia estendendo as suas raízes. Curiosamente essa evolução não escapou à atenta e descomprometida análise do distinto jornalista Aprígio Mafra que no Diário de Lisboa de 30.Fev.1930, apontava para o total de 228, o número de adventistas no país deles dizendo: “São poucos ainda; mas com tanta fé evangelizam, com tanta persistência trabalham na propagação da sua doutrina, que dentro em pouco, a avaliar pelos progressos realizados já, bem pode acontecer que milhares de adeptos se lhes associem.”
Trabalho de HLCCaprichoso baseado em dados gentilmente cedidos pelo Pastor Ernesto Ferreira na sua obra “Arautos de Boas Novas - Centenário da Igreja A.S.D em Portugal -1904-2004”.