terça-feira, 27 de Maio de 2008

LISTA DOS DIRECTORES/PRESIDENTES DA OBRA ADVENTISTA EM PORTUGAL

Directores da Missão Portuguesa (integrada na UNIÃO LATINA)

«CLARENCE EMERSON RENTFRO (norte-americano) de 1907 a 17 de Março de 1917; faleceria em 1951.

«PAUL MEYER (suíço) de 1917 a 1924. Faleceria em Fevereiro de 1945.

«JULES CÉSAR GUENIN (suiço) de Abr.1924 a JUL.1925; faleceria em 1965.

«HARRY W.LOWE (inglês) do 2º Semestre de 1925 a Outubro de 1928. Faleceu em 1990.
Durante este mandato a Missão Portuguesa passou a fazer parte da UNIÃO IBÉRICA, que entrou em actividade a 1 de Janeiro de 1927. Em 1 de Janeiro de 1929 a União Ibérica passaria a estar integrada na Divisão Sul-europeia, uma das novas 4 divisões da Europa adventista.

«PERÍODO INTERCALAR (entre Outubro de 1928 a Março de 1930) em que a Missão Portuguesa é dirigida por ALBERTO F.RAPOSO (português) que já era, desde 1921, secretário-tesoureiro da Missão Portuguesa. Alberto Raposo viria a falecer em 17.Set.1966.

«H.F.Neumann (norte-americano) liderou a Missão de Março de 1930 a Agosto de 1933; Trabalharia noutros lugares do campo mundial vindo a falecer em 27.Out.1978.

«ANTÓNIO DIAS GOMES foi o 1º missionário português a presidir, efectivamente, à Missão Portuguesa, a partir de Agosto de 1933. Em 1935, a Missão converter-se-ia em Conferência Portuguesa, continuando o Pastor Dias Gomes então como presidente desta, até Fevereiro de 1941.

Entretanto, em Dezembro de 1939, as dificuldades que os 2 países ibéricos atravessavam (Guerra Civil de 1936-39 em Espanha, agravada pela eclosão da II Guerra Mundial), levaram à dissolução da União Ibérica, nascendo em Portugal uma União Portuguesa que coexistiria com a Conferência Portuguesa até 1971.

A UNIÃO PORTUGUESA foi presidida por:

«A.J.Girou (cidadão grego, nascido na Turquia) de Dezembro de 1939 a Fevereiro de 1941. Ao deixar essas funções, passou a viver em França, onde viria a falecer em Maio de 1977.

«ANTÓNIO DIAS GOMES já referido como presidente da Conferência Portuguesa sucederia ao Pastor Girou na presidência da União desde Fevereiro de 1941 até Julho de 1950. O Pastor E.Hermanson (brasileiro) presidiu à Conferência entre 1941 e 1943. A partir daí os cargos de presidência da Conferência e da União Portuguesa passaram a ser acumulados pela mesma entidade. O P. Dias Gomes viria a falecer em Lisboa a 14 de Janeiro de 1994.

«1º Mandato do Pastor ERNESTO FERREIRA (entre Julho de 1950 e Dezembro de 1957). Seria colocado na União Angolana a 1 de Janeiro de 1958.

« O Pastor PEDRO BRITO RIBEIRO presidiu interinamente à União (entre Janeiro e Dezembro de 1958), em acumulação com as funções de secretário-tesoureiro e departamental da Escola Sabatina.

«ARMANDO JOSÉ S. CASACA (entre Janeiro de 1959 e Dezembro de 1968). Em Janeiro de 1969 passaria para a Presidência da União Angolana. Trabalhou a partir de 1975 no Brasil, onde viria a falecer em 4 de Dezembro de 1991.

«2º Mandato de Ernesto Ferreira (de Janeiro de 1969 a Outubro de 1974). Passaria a exercer funções docentes no Colégio de Sagunto em Espanha.

Na sessão da Conferência Geral (Atlantic City, N.J., 11 a 20 de Junho de 1970) nova reorganização da Divisão Sul-Europeia transforma-a em Trans-Mediterrânica, mas de duração efémera. Em Dezembro de 1971, tornou-se Divisão Euro-Africana. Nesta Divisão foi criada a União Sul-Europeia com sede em Roma, que englobava as Associações Portuguesa, a Espanhola e a Italiana e as Missões da Grécia e Israel.

«ANTÓNIO BAIÃO, presidiu à Associação Portuguesa entre Janeiro de 1975 e Junho de 1977.

«3º mandato do Pr. ERNESTO FERREIRA de Julho de 1977 a Julho de 1979.

«Pr.JOAQUIM ALEGRIA MORGADO de Julho de 1979 a Julho de 1992.

Durante este mandato, mais precisamente em 31 de Dezembro de 1981, foi extinta a União Sul-Europeia e a Associação Portuguesa readquiriu o estatuto de União Portuguesa que hoje mantém.

«Pr. JOAQUIM DIAS de Julho de 1992 a Julho de 1997.

«Pr. MÁRIO BRITO de Julho de 1997 a Junho de 2006. Colocado nessa altura na Divisão Euro-Africana como Secretário dos Departamentos de Actividades Leigas e Escola Sabatina, Missão Global e Mordomia.

«Presidência interina do Pr. JOSÉ EDUARDO TEIXEIRA entre Julho de 2006 e Maio de 2007; a Assembleia da U.P.A.S.D. no Verão de 2007, atribuiu então ao Pr. J. E. Teixeira a presidência efectiva da União.

quinta-feira, 8 de Maio de 2008

OS PIONEIROS: RENTFRO, SCHWANTES E MEYER

O pioneiro do trabalho missionário que levaria à introdução da Igreja Adventista em Portugal foi um jovem norte-americano do Iowa, Clarence Emerson Rentfro (1877-1951). Estudara em vários colégios adventistas, nomeadamente, no de Battle Creek , no Union College e no Emmanuel Missionary College . Em 1904 (já lá vão portanto, mais de 100 anos), concluídos os seus estudos de Teologia, e recém-casado com a diplomada em enfermagem Mary Haskell, oferece-se para trabalhar na Europa. Enviado para Espanha, seria, por decisão de última hora da Conferência Geral, desviado para o vizinho Portugal. Instalados nos finais de Setembro, junto do Jardim da Estrela, na capital daquele que era então, mais um dos reinos da Europa, os Rentfro estabeleceram os primeiros contactos junto da comunidade anglicana, em particular com o pastor da congregação, naturalmente por afinidade linguística. O casal não possuía qualquer rudimento na língua de Camões, experimentando dificuldades compreensíveis na comunicação com os nativos. Não admira que o primeiro fruto do trabalho do casal de missionários viria a ser uma senhora inglesa, de seu nome Lucy, viúva daquele que fora um dos mais notáveis actores e cantores líricos nacionais, António Augusto Portugal.

Foram necessários quase dois anos para se lançarem os primeiros fundamentos do que viria a ser a Igreja Adventista em Portugal. Foi justamente na casa de Lucy Portugal, à Rua dos Industriais, nº 9, que em Junho de 1906, se realizou a 1ª Escola Sabatina no país, sem portugueses. Meses depois, mais precisamente em 21 de Setembro do mesmo ano, uma singular cerimónia baptismal viria a ter lugar ao princípio da noite, na frequentada praia de Carcavelos, durante a qual 4 almas, nomeadamente, Lucy Portugal e 3 membros de uma família de apelido Figueiredo, ganhos pelo trabalho de distribuição de folhetos. O facto de um dos novos prosélitos ser menor o que levava a temer uma possível intervenção das autoridades, explica a hora a que se efectivou a sessão. Dirigiu os trabalhos da mesma, o pastor brasileiro já consagrado Ernesto Schwantes, que havia chegado ao país poucos dias antes.

No dia seguinte (22 de Setembro) abria-se em Lisboa uma primeira sala de culto em Portugal, situada no 1º andar do nº 20 da Rua de São Bernardo, à Estrela. A celebração de uma Santa Ceia assinalaria essa inauguração pública. O ano não terminaria sem uma nova sessão baptismal, com a descida às águas da mesma praia de mais duas pessoas, desta vez o casal João e Maria Conceição Figueiredo. Estava-se em 8.Dezembro de 1906.

Entretanto, o pastor Schwantes que se fixara no Porto, ali estabeleceu na Rua do Bonfim, 124, uma sala que iria dar guarida aos seus primeiros membros baptizados. Isso aconteceria na praia da Aguda, não longe de Espinho, onde no ano de 1907 foram baptizadas 3 pessoas: o casal Dias Gomes, pais de António Dias Gomes que mais tarde viria a ser presidente da União Portuguesa, e o jovem João Pereira do Lago que se tornaria o primeiro colportor português. Foi, sem dúvida, um início tímido, mas perfeitamente justificado num estado de raízes profundamente católicas, em que a obediência à igreja estabelecida, andava identificada com a ordem monárquica que procurava conter as arremetidas democráticas e liberalizantes dos republicanos. Olhada como um “ novo rebento da árvore evangélica, de pouco mais de meio século” a igreja adventista foi apresentada por alguns órgãos da imprensa portuguesa, em artigos ou notícias do jornal como a que revista “ IllustraçãoPortugueza” publicou na época e que já apresentamos noutra secção deste blogue. Em todo o caso, a nascente Igreja Adventista em Portugal, designada como Missão Portuguesa e que até 1928 fez parte da União Latina foi, paulatinamente, crescendo à medida que as difíceis condições políticas, sociais e culturais o foram permitindo. Em 1910, implantada que fora a República, chegava a Portugal o jovem pastor suíço Paul Meyer substituindo o Pastor Schwantes já regressado ao Brasil no ano anterior. Meyer começa a trabalhar em Lisboa, passando Clarence Rentfro a ocupar-se da Igreja do Porto, acumulando ainda o cargo de Presidente da Missão Portuguesa. A Igreja arrolava então 21 membros em todo o território nacional.

Em Maio de 1911, o pastor Meyer revelava o clima que se vivia em Portugal relativamente ao fenómeno religioso, em artigo publicado na revista adventista francesa “Le Messager”, precursora da “Revue Adventiste”. O facto passava-se a uns 200 km da capital, durante uma viagem de trabalho daquele missionário acompanhado por um colportor (Alberto Figueiredo). Dizia então Paul Meyer “Tudo o que é religioso deixa os portugueses na mais completa indiferença. Para eles parece não existir diferença entre catolicismo e protestantismo, tudo é jesuitismo. Revistaram o irmão Figueiredo e como nada encontrassem, deixaram-nos em paz”.

O ano de 1912 foi excepcional para a Igreja de Lisboa. Nesta época de pioneirismo era prática comum abrir-se nova frente na seara do Senhor, isto é, novas salas iam sendo abertas, caso de se manifestassem dificuldades no avanço da obra. Nesse sentido, foi aberto no bairro dos Anjos, ao Intendente um salão no qual o Pastor Meyer passou a realizar conferências públicas que atraíram 70 a 90 pessoas bastante regulares. O resultado foi que em dois sábados de Junho, 18 pessoas foram acrescentadas à Igreja. Na Sessão Anual da União Latina que teve lugar na cidade de Lausanne (Suiça) de 9 a 14 de Agosto, o Pastor Meyer foi consagrado ao Ministério e o Conselho local em Portugal ficou constituído por C.E.Rentfro, P.Meyer e Abel Gomes. Em 5 de Outubro, nove preciosas almas foram baptizadas à beira-mar e ao finalizar o ano 53 aparecem no registo oficial da Igreja em Portugal (40 na capital e 13 no Porto).

Em Maio de 1913, o pastor Rentfro de férias nos Estados Unidos da América, participaria como delegado da Missão Portuguesa à Sessão da Conferência Geral, realizada na capital americana, regressando ao Porto no mês seguinte. Ali o obreiro bíblico Alberto Figueiredo começara uma série de conferências bem concorridas. Algumas visitas começam a guardar o sábado. Em Lisboa, no mês de Junho, 6 almas confessaram a sua fé, entrando nas águas baptismais.

Na sessão anual da União Latina de 1914, os obreiros credenciados eram os seguintes para o campo português: Rentfro e Meyer (pastores), Alberto Figueiredo (evangelista), Alberto Raposo (obreiro bíblico) e Joaquim Dias Gomes e Manuel Garcia ( colportores) e ao terminar o ano as Igrejas de Lisboa e do Porto registavam, respectivamente, 60 e 22 membros.

(A continuar)

Arquivista responsável pela recolha: H.Caprichoso