O clima de guerra e o fantasma de uma possível fragmentação que impendiam de novo sobre quase todo o continente europeu apertaram também o coração dos líderes adventistas dos 21 países e grupos de ilhas que formavam a Divisão Sul-Europeia reunidos em Gland na Suiça para o duodécimo conselho de Inverno que teve lugar de 29 de Novembro a 6 de Dezembro de 1939. Ao separarem-se os dirigentes ali presentes expressaram toda a solenidade e profunda emoção do momento, mas lembravam também os motivos que tinham para render graças ao Senhor pelas bênçãos recebidas. Sentiam a convicção de que Deus mantinha Sua mão sobre o mundo e o que dizia respeito à igreja estava ainda ao Seu cuidado. Foi feito um apelo “à fidelidade, à coragem e à confiança ao amor da mensagem da Cruz, à determinação de dar coração e alma, e a vida, se necessário for, à causa do Evangelho de Jesus Cristo e ao anúncio de Sua próxima vinda”.(1)
Tendo em conta os condicionalismos que os dois países ibéricos vinham atravessando (Guerra Civil de 1936-39 em Espanha, agravada pela eclosão da II Guerra Mundial ) o Conselho anual da Divisão Sul-Europeia, acima referido, decidiu dissolver a União Ibérica, criando em seu lugar uma União Espanhola e uma União Portuguesa. Esta incluía a Conferência Portuguesa (igrejas de Portugal Continental) e as Missões dos territórios portugueses da Madeira, Açores, Cabo Verde e São Tomé. O pastor A.J.Girou que fora director da União Ibérica passou a dirigir a União Portuguesa, mas manter-se-ia em Madrid a aguardar autorização de residência no nosso país. O agravamento do estado de guerra talvez explicasse as limitações à circulação de cidadãos estrangeiros. Pedro Brito Ribeiro assumiu o cargo de secretário-tesoureiro da União e o Pastor Dias Gomes continuaria à cabeça da Conferência. Entre as primeiras preocupações da nova direcção estavam a legalização junto dos Registos Civis dos Estatutos da organização e a constituição da Casa Publicadora Atlântico como sociedade comercial, o que foi conseguido durante o ano de 1941.
Com algumas dificuldades materiais no horizonte bem patentes no primeiro editorial, mas com “entusiasmo juvenil”, a Revista Adventista reapareceria em Maio-Junho de 1940 com carácter de maior regularidade. Bimestral até final de 1949, a nossa revista foi-se impondo como um valioso órgão das igrejas adventistas de língua portuguesa, em grande medida, pelo trabalho redactorial que fora então confiado a um jovem de nome Ernesto Ferreira, ex-padre franciscano que empenhada e convictamente se unira às fileiras de obreiros adventistas. No 1º trimestre de 1942 foi lançada a revista SAÚDE E LAR, que teria inicialmente uma periodicidade trimestral.
No terreno, o trabalho prosseguia com todo ânimo. No distrito de Portalegre, eram 8 os lugares onde o Pastor Marcelino Viegas com a ajuda de alguns irmãos partilhava a mensagem junto de almas interessadas. Em menos de 2 anos foram acrescentados aos livros da Igreja 38 novos membros. Nos arredores do Porto os grupos de gente interessada surgem em Devesas, Vila Nova de Gaia, Póvoa do Varzim, Senhora da Hora e Avintes. Neste último lugar é aberta, em Maio de 1940, uma sala para acolher os primeiros conversos. Claro está que todas estas vitórias não se faziam sem a animosidade de certos elementos da população, instrumentalizados pelo grande enganador, que tudo fazia para impedir o avanço da causa. Por seu lado, o Espírito de Deus ia conduzindo as coisas. A sala de Vila Real de Santo António fechada dois anos antes à pregação do Evangelho recebe luz verde das autoridades locais para reabrir as suas portas. O obreiro Lutero Simões, então responsável local congratulava-se com os irmãos, firmes na fé, que na aldeia vizinha da Conceição mantiveram acesa a chama. Solicitava a Deus “força e inteligência para poder continuar a alongar as cordas desta tenda espiritual” nas terras do extremo sul do nosso país.
No final de 1942, sairiam os dois obreiros alemães, Otto Ide e Karl Sommer, que durante alguns anos haviam trabalhado no campo português. Regressavam definitivamente à sua pátria. Por cá, a Assembleia-Geral da União Portuguesa de Junho de 1943, recomporia a rede de trabalho: o Pastor A. Dias Gomes, que passara a acumular as Presidências da União e da Conferência assumiria ainda a Igreja em Lisboa, Alberto F. Raposo tornar-se-ia Secretário-Tesoureiro trocando com Pedro Brito Ribeiro que passaria para a Missão da Madeira, no Porto ficaria Manuel Leal, em Portalegre, Ernesto Ferreira acumularia os lugares de Pastor da Igreja e de Professor no Seminário. Quanto às restantes igrejas e grupos a sua direcção ficariam assim distribuídas: Coimbra a Lutero Simões, Tomar a Marcelino Viegas, Manuel Miguel no Barreiro, Eliseu Miranda em Vila Real de Santo António, José Júlio Pires em Nisa, Fernando Simões em Setúbal e Arlindo Miranda em Cascais. Nos Açores, continuava o Pastor Lourinho mas desde há alguns meses acompanhado pelo Ir. Samuel Reis na nova igreja de Angra do Heroísmo (ilha Terceira).
No campo da Educação, o regime salazarista tomara medidas para o ano lectivo de 1940-41, que durante algum tempo causaram apreensão à comunidade adventista, nomeadamente no que dizia respeito à obrigatoriedade de frequência, em dia de sábado, às actividades da Mocidade Portuguesa para os alunos dos 10 aos 14 anos, extensivas também ao Ensino Particular. Após um breve período de incerteza que fizera temer o pior para o Instituto Académico Adventista, a compreensiva e pragmática actuação dos monitores externos acabou por facilitar a frequência dos alunos adventistas criando condições à manutenção da nossa Escola, que passaria, no entanto, apenas a funcionar com a secção primária e esta restringida à frequência feminina. A secção Secundária fora suspensa, no entanto, a Secção Teológica reforçada passaria a incluir o 1º Ciclo do Liceu. Nos anos lectivos seguintes foram saindo uns quantos finalistas os quais foram preenchendo algumas lacunas nos necessitados campos metropolitano e ultramarino. Em Portalegre foi alugada uma Quinta (desde sempre designada pelo nome de Santo António) nos arredores da cidade, ali foi estabelecida para o ano de 1943/44 uma secção destinada a rapazes que estudavam o Curso Teológico. O seu director, seria nos dois primeiros anos lectivos o Pastor Enoque V. Hermanson.
Entretanto, na Europa e no Mundo a guerra continuava a mobilizar todas as energias destruidoras, dando azo a que muitos milhões de vidas humanas fossem aniquilados. As notícias que chegavam do campo mundial davam conhecimento de como até a própria Igreja de Deus era gravemente afectada materialmente, com igrejas, escolas, hospitais e editoras arrasadas. Dezenas de obreiros por esse mundo fora haviam sido internados ou presos. Felizmente, para os Portugueses passariam praticamente incólumes de toda esta agitação. Apenas no plano sócio-económico o nosso país seria beliscado. Ao chegar o fim do 1º Trimestre de 1945, o número de membros das Igrejas da União Portuguesa ascendia aos 850 .
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(1) Revista Adventista nº 1, Maio-Junho 1940,p.2.
Tendo em conta os condicionalismos que os dois países ibéricos vinham atravessando (Guerra Civil de 1936-39 em Espanha, agravada pela eclosão da II Guerra Mundial ) o Conselho anual da Divisão Sul-Europeia, acima referido, decidiu dissolver a União Ibérica, criando em seu lugar uma União Espanhola e uma União Portuguesa. Esta incluía a Conferência Portuguesa (igrejas de Portugal Continental) e as Missões dos territórios portugueses da Madeira, Açores, Cabo Verde e São Tomé. O pastor A.J.Girou que fora director da União Ibérica passou a dirigir a União Portuguesa, mas manter-se-ia em Madrid a aguardar autorização de residência no nosso país. O agravamento do estado de guerra talvez explicasse as limitações à circulação de cidadãos estrangeiros. Pedro Brito Ribeiro assumiu o cargo de secretário-tesoureiro da União e o Pastor Dias Gomes continuaria à cabeça da Conferência. Entre as primeiras preocupações da nova direcção estavam a legalização junto dos Registos Civis dos Estatutos da organização e a constituição da Casa Publicadora Atlântico como sociedade comercial, o que foi conseguido durante o ano de 1941.
Com algumas dificuldades materiais no horizonte bem patentes no primeiro editorial, mas com “entusiasmo juvenil”, a Revista Adventista reapareceria em Maio-Junho de 1940 com carácter de maior regularidade. Bimestral até final de 1949, a nossa revista foi-se impondo como um valioso órgão das igrejas adventistas de língua portuguesa, em grande medida, pelo trabalho redactorial que fora então confiado a um jovem de nome Ernesto Ferreira, ex-padre franciscano que empenhada e convictamente se unira às fileiras de obreiros adventistas. No 1º trimestre de 1942 foi lançada a revista SAÚDE E LAR, que teria inicialmente uma periodicidade trimestral.
No terreno, o trabalho prosseguia com todo ânimo. No distrito de Portalegre, eram 8 os lugares onde o Pastor Marcelino Viegas com a ajuda de alguns irmãos partilhava a mensagem junto de almas interessadas. Em menos de 2 anos foram acrescentados aos livros da Igreja 38 novos membros. Nos arredores do Porto os grupos de gente interessada surgem em Devesas, Vila Nova de Gaia, Póvoa do Varzim, Senhora da Hora e Avintes. Neste último lugar é aberta, em Maio de 1940, uma sala para acolher os primeiros conversos. Claro está que todas estas vitórias não se faziam sem a animosidade de certos elementos da população, instrumentalizados pelo grande enganador, que tudo fazia para impedir o avanço da causa. Por seu lado, o Espírito de Deus ia conduzindo as coisas. A sala de Vila Real de Santo António fechada dois anos antes à pregação do Evangelho recebe luz verde das autoridades locais para reabrir as suas portas. O obreiro Lutero Simões, então responsável local congratulava-se com os irmãos, firmes na fé, que na aldeia vizinha da Conceição mantiveram acesa a chama. Solicitava a Deus “força e inteligência para poder continuar a alongar as cordas desta tenda espiritual” nas terras do extremo sul do nosso país.
No final de 1942, sairiam os dois obreiros alemães, Otto Ide e Karl Sommer, que durante alguns anos haviam trabalhado no campo português. Regressavam definitivamente à sua pátria. Por cá, a Assembleia-Geral da União Portuguesa de Junho de 1943, recomporia a rede de trabalho: o Pastor A. Dias Gomes, que passara a acumular as Presidências da União e da Conferência assumiria ainda a Igreja em Lisboa, Alberto F. Raposo tornar-se-ia Secretário-Tesoureiro trocando com Pedro Brito Ribeiro que passaria para a Missão da Madeira, no Porto ficaria Manuel Leal, em Portalegre, Ernesto Ferreira acumularia os lugares de Pastor da Igreja e de Professor no Seminário. Quanto às restantes igrejas e grupos a sua direcção ficariam assim distribuídas: Coimbra a Lutero Simões, Tomar a Marcelino Viegas, Manuel Miguel no Barreiro, Eliseu Miranda em Vila Real de Santo António, José Júlio Pires em Nisa, Fernando Simões em Setúbal e Arlindo Miranda em Cascais. Nos Açores, continuava o Pastor Lourinho mas desde há alguns meses acompanhado pelo Ir. Samuel Reis na nova igreja de Angra do Heroísmo (ilha Terceira).
No campo da Educação, o regime salazarista tomara medidas para o ano lectivo de 1940-41, que durante algum tempo causaram apreensão à comunidade adventista, nomeadamente no que dizia respeito à obrigatoriedade de frequência, em dia de sábado, às actividades da Mocidade Portuguesa para os alunos dos 10 aos 14 anos, extensivas também ao Ensino Particular. Após um breve período de incerteza que fizera temer o pior para o Instituto Académico Adventista, a compreensiva e pragmática actuação dos monitores externos acabou por facilitar a frequência dos alunos adventistas criando condições à manutenção da nossa Escola, que passaria, no entanto, apenas a funcionar com a secção primária e esta restringida à frequência feminina. A secção Secundária fora suspensa, no entanto, a Secção Teológica reforçada passaria a incluir o 1º Ciclo do Liceu. Nos anos lectivos seguintes foram saindo uns quantos finalistas os quais foram preenchendo algumas lacunas nos necessitados campos metropolitano e ultramarino. Em Portalegre foi alugada uma Quinta (desde sempre designada pelo nome de Santo António) nos arredores da cidade, ali foi estabelecida para o ano de 1943/44 uma secção destinada a rapazes que estudavam o Curso Teológico. O seu director, seria nos dois primeiros anos lectivos o Pastor Enoque V. Hermanson.
Entretanto, na Europa e no Mundo a guerra continuava a mobilizar todas as energias destruidoras, dando azo a que muitos milhões de vidas humanas fossem aniquilados. As notícias que chegavam do campo mundial davam conhecimento de como até a própria Igreja de Deus era gravemente afectada materialmente, com igrejas, escolas, hospitais e editoras arrasadas. Dezenas de obreiros por esse mundo fora haviam sido internados ou presos. Felizmente, para os Portugueses passariam praticamente incólumes de toda esta agitação. Apenas no plano sócio-económico o nosso país seria beliscado. Ao chegar o fim do 1º Trimestre de 1945, o número de membros das Igrejas da União Portuguesa ascendia aos 850 .
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(1) Revista Adventista nº 1, Maio-Junho 1940,p.2.